quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Algumas considerações sobre o "dízimo moderno"



Vou me isentar de fazer longas exegeses sobre o dízimo enumerando aqui dezenas e dezenas de referências  bíblicas relativas ao tema como se estivesse defendendo uma tese de doutorado.

O que segue abaixo são apenas algumas considerações sobre a prática hodierna de dizimar existente em diversas denominações, em especial as neopentecostais, cuja fonte de lucro não repousa somente nos dízimos dos fiéis, mas também nos trízimos, ofertas, doações, barganhas, cheques, cartão de crédito e seus infinitos correlatos.

Não acredito que o dizimo em si seja uma prática cristã e tampouco anti-cristã, no entanto estabelecer e fixar valores específicos para ofertas é no mínimo constrangedor. Algumas denominações inclusive monitaram o contra-cheque mensal do fiel a fim de garantir que ele irá contribuir com a quantia correta de 10% do seu salário bruto mensal.

A oferta não deve ser voluntária somente no sentido de se ofertar, mas também no que tange ao seu valor, seja 1, 5, 10, 50 ou 100% do nosso salário e isso quem definirá é o próprio ofertante de acordo com a sua prosperidade e condições materiais para tal fim.

Como bem disse Paulo:

"No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar." 1 Co 16:2

Mas tenho uma dúvida. Por que os que ensinam a prática "voluntária/obrigatória" do dizimo não ensinam também a oração do dizimista contida em Dt 26: 12-15?

Todas as ordenanças relativas ao dizimo na Lei Mosaica não é cumprida em sua plenitude e totalidade pelas denominações dizimistas. Lendo as leis que dizem respeito à pratica dizimista no antigo concerto vemos que estas eram muito mais profundas e abrangentes do que simplesmente retirar a quantia de 10% do seu salário em dinheiro bruto a cada mês - aliás, a prática dizimista tal como vemos hoje era desconhecida no meio do Israel Antigo. O que fizemos, portanto, foi nada mais nada menos do que uma espécie de "adaptação" para instituir a prática à dinâmica capitalista de nossa sociedade pós moderna, afinal de contas qual agricultor ou pecuarista evangélico tiraria 10% de sua produção anual em plantações e cabeças de gado para abastecer a comunidade cristã o qual ele pertence? E quanto a oração que ele deveria fazer após separar os dizimos da sua produção? 

O dízimo moderno, infelizmente, tem sido a principal fonte de lucro dentro desse mercado gospel mercantilista. Abrir mão dele bem como das técnicas de arrecadação promovidas pelos telepastores que pernoitam nos "horários pechinchas" da TV aberta é colocar em risco a saúde financeira dessas comunidades autointituladas "cristãs" que se comportam como verdadeiras empresas inseridas em um mercado altamente competitivo. O dinheiro, portanto, se torna como um bem (ou mal) inalienável, nem que para isso seja necessário enganar os incautos com palavras e promessas fraudulentas de prosperidade material.

5 comentários:

Szmyhiel disse...

Caro Irmão Hélio,

Muito boa sua explanação...
Estou tentando manter um blog tb...
Não tenho a mesma destreza com o textual como o irmão, mas me aproximando de pessoas como vc, acredito que aprenda um pouco...

Se tiver um tempinho dá uma olhadinha... ( falandocomelesemcessar.blogspot.com ) , é simplesinho, e tento ver todas as coisas com uma pitadinha de humor, não entro em questões muito polêmicas (tento ser mais light)... Se tiver algumas dicas, por favor me mande...

Deus abençoe e continue assim,

No amor de Cristo,


Fábio Szmyhiel

Hélio disse...

Irmão Fábio.

Valeu por compartilhar o link do seu blog, já estou seguindo para ficar atualizado com novas postagens.

Faça o seguinte. Me mande um comentário com seu endereço de email para que possamos conversar melhor.

Deus te abençoe.

Regina Farias disse...

Hélio,

Para mim, é muito simples de entender. Se quer ofertar para a igreja enquanto instituição, do tanto que quiser, com consciência de que é para a manutenção básica do espaço físico tais como, energia e outros, até aí tudo bem, super saudável.

Em relação a 'dar a Deus' - como usam em grosseiro e equivocado apelativo bíblico e, quando não, com táticas terroristas no nível psicológico - deve ser feito também de forma CONSCIENTE (e não alienante) e totalmente fora dos muros religiosos.

Esse 'dar' faz parte da nossa existência e é como nosso respirar, ou seja, CONSTANTE. Não precisa sair muito do seu reduto, é só olhar em volta. E consiste desde em um abraço, um sorriso, um cinto, um papo legal e descontraído em mesa de bar, um telefonema, até chegar mesmo à coisa material, conforme a necessidade do próximo. Do próximo que, diga-se de passagem, não é exatamente o meu amiguinho de crença religiosa. Isso é Evangelho.

O mais é invenção humana e desconhecimento dos contextos bíblicos provocando toda a sorte de prejuízos à mente humana, afastando-a dos reais propósitos do Evangelho.

Por isso, o mais grave, é o que se faz NA MENTE das pessoas e que não coloca em risco apenas a saúde financeira. Isso é tão sério, mas tão sério, pois o risco é Jesus dizer 'naquele dia' explicitamente:

"Nunca vos conheci, apartai-vos de mim'.

Deus abençõe este blog!

R.

Regina Farias disse...

Hélio,

O exemplo do cinto que citei, foi porque me lembrei de um acontecimento com um irmão meu que mora em Salvador e veio a um casamento em Recife. O casamento seria no dia seguinte à noite e, claro, antes disso ele deu umas saídas por aí. Na hora de colocar o terno ele pediu pra eu pegar emprestado um cinto preto de um outro irmão, daí eu perguntei cadê o dele, pois eu o apanhei no aeroporto e o vi chegar de cinto preto. Então ele respondeu de modo sucinto e com simplicidade que havia dado a um homem na rua que estava com a calça arriando. Não comentei nada, mas nunca mais esqueci esse fato, que pode até parecer banal para os mais insensíveis.

Abs,

R.

Anônimo disse...

O dízimo está para as religiões (que adotam-no) assim como o oxigênio está para um ser vivo: se faltar, todo o organismo entra em falência!!!

Lima

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